Início Brasil Avanços após 30 anos da homossexualidade ter deixado de ser considerado uma...

Avanços após 30 anos da homossexualidade ter deixado de ser considerado uma doença pela OMS

Homofobia

No dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças. Até então, uma série de países ainda tratava homossexuais como pessoas com desvios patológicos mentais, permitindo preconceitos e violações como terapias de reversão, a conhecida “cura gay”.

Por conta desse avanço na luta por direitos civis, o dia 17 de maio tornou-se o Dia Internacional Contra a Homofobia, data oficial de reforço e rememoração das lutas da população LGBTQI+ contra a violência e perseguição às quais é submetida.

A ação tomada pela OMS foi uma das que auxiliou a redução de cerca de 74% da população mundial vivendo sob leis estatais de criminalização contra homossexuais em 1969 para cerca de 27% em 2018, segundo relatório de 2019 da International Lesbian, Gay, Bixesual, Trans and Intersex Association (ILGA World).

Entretanto, os números contra a homofobia ainda estão longe de serem ideais. No “Relatório Anual de Mortes Violentas de LGBT no Brasil” do Grupo Gay da Bahia (GGB) em 2019, embora demonstre redução em relação a anos anteriores, ainda se registram 329 mortes violentas de LGBTQI+ no país, sendo 297 homicídios e 32 suicídios, uma morte a cada 26 horas. Leva-se em consideração também a ausência de levantamentos oficiais do Estado e a grande quantidade de subnotificação.

Em termos legais, o Brasil não chegou a possuir códigos que criminalizassem diretamente a homossexualidade. Porém, a moralidade religiosa advinda da Europa com a colonização classificava e penalizava atos ditos de “sodomia” como criminosos e pecaminosos.

Em códices de Autos de Fé e penitenciados da Inquisição de Goa, é possível encontrar diversos ofícios e outros documentos que tratam de punições a relações entre pessoas do mesmo sexo. Um deles, inclusive, uma Lei Régia de Filipe IV (1605-1665), Rei da Espanha, datada de 14 de janeiro de 1634, na qual determina sentenças para “sodomia” e “moléstia”.

Em 2019, ainda são organizados no Brasil grupos favoráveis a terapias de reversão com base em preceitos de conversão religiosa, contrários à determinação da OMS, o que demonstra que a luta contra a mentalidade do preconceito enraizada desde o período colonial é ainda atual e urgente.

(Maria Fernanda Nogueira)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui